domingo, 17 de agosto de 2008

A Felicidade Não Cabe em Um 3x4


Hoje choveu o dia todo,
foi mais um daqueles dias
onde a alegria
parece estar muito ocupada
com os outros.

É...
Chove lá fora, o dia inteiro,
chove lá fora, já faz tanto tempo,
um dia todo, fora, eu já nem lamento.
Chove lá fora e também aqui dentro.

Dentro: é um lugar
tão fácil de entrar.
Dentro: é um altar
onde você já não está.

Vejo aquela nuvem cinza,
reconheço nela alguma coisa de mim mesmo,
talvez seja a cor ou as lágrimas, não sei,
já não me reconheço.
É, vai ver seja mesmo a cor,
mas realmente não consigo perceber.
Talvez assim seja melhor,
sei que não vou gostar do que vou ver.

Força (...),
palavra otimista.
Mais ou menos força
difere o que é vento e o que é brisa.

O que você seria?
vento?
furacão?
brisa?
não sei ainda o que sou
e, acredite,
se você fosse eu,
também não saberia.

Mais um quarto de hora
se passou sem alterar
qualquer coisa
que me fizesse notar.

Tudo isso é besteira, eu sei,
mas não seria se alguém tivesse notado
que eu só errei por atenção
e que este nunca foi o meu maior pecado.

Crucifiquei o santo errado
e a cruz apodreceu.
Mas, afinal, foi Deus que inventou o homem?
ou o homem que inventou Deus?

A fé distrai nossas fraquezas
e costuma ser traidora,
é quase certo a decepção
quando se confia de mais em alguma coisa.

Hoje tenho um coração aprisionado,
pequeno, em um formato 3x4.
A felicidade só cresce em corações profundos,
que pena, o meu coração sempre foi tão raso.

Tudo isso é tão complexo e simples
mas ninguém entende sobre o que eu falo.
Tudo bem, não se incomode comigo,
este é só mais um (inquieto) desabafo.


(...)


Tinha ainda tanto pra dizer,
mas tudo bem,
deixa pra lá.

Asas molhadas
sempre se tornam
pesadas demais para voar.


(Marcelo Rutshell)